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Entre o dever de casa e o desejo de brincar

  • Foto do escritor: Roberta Danemberg
    Roberta Danemberg
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Outro dia pensei na razão para algumas crianças resistirem tanto a fazer o dever de casa.

Muitas vezes pedimos uma vez, pedimos duas, pedimos três, fazemos ameaça, negociamos e a resistência segue.

De repente veio na minha cabeça o que aconteceria se um adulto resistisse assim em um emprego. Seria demitido, provavelmente.



Mas com a criança é diferente. Ela não será convidada a se retirar. Ela não será menos amada. Ela não deixará de ser filha ou filho.

Na verdade, muitas vezes nem tem noção da importância que aquele trabalho de casa, planejado por seu professor ou professora, pode ter em seu processo de aprendizado.


Criança quer brincar, principalmente no final de semana.

Criança precisa brincar, é um direito reconhecido em lei. É saudável e necessário.


Mas se estudar também é importante em seu desenvolvimento, como podemos fazer com que entendam, mesmo que não totalmente, que cada dever de casa é importante e que deve ser feito no prazo?


Conversar é o início. O seu tom irá variar conforme a idade da criança e o seu desenvolvimento.

Poderá acontecer dela achar chato ouvir, pensar que é um exagero e até revirar os olhos, mas certamente será melhor do que ficar de castigo ou, nem gosto de dizer, apanhar.


Mas talvez você esteja se perguntando o que falar, já que não estudou pedagogia nem tem licenciatura, por exemplo. Você pode explicar, por exemplo, que o dever de casa não existe apenas para “ocupar tempo”. Até porque, as telas já vêm fazendo isso em muitas casas ao longo das últimas décadas.


O dever tem a importante função de ajudar o cérebro a lembrar do que foi aprendido na escola e a entender que aquele assunto tem relevância, que não deve ser descartado rapidamente.

Também ajuda a criança a perceber as suas dúvidas. Ao mesmo tempo, oferece ao professor pistas sobre o que a turma conseguiu compreender ou não.


E existe uma aprendizagem silenciosa acontecendo ali: a de começar algo mesmo sem vontade. E, convenhamos, isso vale para nós também.


Dependendo da idade, dá até para conversar sobre responsabilidade de forma simples: “Nem tudo na vida vai ser divertido imediatamente. Algumas coisas importantes exigem esforço antes de parecer fazer sentido.”


Acho importante lembrar que há diferença entre incentivar e transformar o estudo num clima permanente de ameaça. As crianças aprendem conteúdos, mas também aprendem a forma como se sentem diante desse aprendizado.

E isso costuma ficar com elas por muito tempo.

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